quarta-feira, novembro 28

Corte de Árvores

“O LENHADOR QUER, A DEPUTADA SONHA E A AUTARQUIA APROVA”


“Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”

(Fernando Pessoa)


Todos dizemos que vivemos em Democracia; ninguém quer dizer “somos todos iguais, só que uns mais do que outros”! Todavia, e cada vez mais a realidade mostra-nos o contrário: estamos a viver um período deveras difícil. As injustiças são cada vez maiores, as Instituições funcionam para o Partido e em função das eleições, criticar o Governo é sinónimo de perseguição, os boys e as girls prosperam, saltam de partido em partido quais Libelinhas à procura de alimento, a corrupção aumenta, a prepotência é a arma dos medíocres, as aparências avolumam-se dia a dia e os “sobreviventes” prosperam.


Quem acredita que pode sobreviver sem recorrer às influências dos políticos? Como se pode discordar de um dirigente? Quem manda onde? O emaranhado é tão grande que só há duas soluções: ser conivente ou não ter medo das consequências e denunciar, denunciar, denunciar até à exaustão.

Estamos cansados de treze anos de intervenção e denúncias, porém, não nos vamos calar. Sempre trabalhámos por militância, por princípios e convicções de forma a contribuirmos para um Planeta melhor. Não aceitamos que brinquem com os direitos dos cidadãos, com os princípios da cidadania (que cliché mais em voga!) que os interesses do Partido sejam o motor deste tipo de Progresso, não somos boys nem girls: somos ambientalistas, não fundamentalistas, como é costume catalogarem quem defende causas consideradas menores aos olhos dos “maiores”.


Pode-vos parecer descabido intervir por um facto de pouca relevância mas o certo é que ao longo destes anos muito fizemos pela Democracia Participativa. E com que esforço! Poucos acreditarão quantas horas trabalhamos ao serviço de uma Comunidade pouco grata, pouco instruída, nada sensível a este Desenvolvimento, a esta Globalização.

Adoraríamos não existir, infelizmente, assim não é nem se afigura vir a ser.


Lamentamos profundamente que não se aprenda com os erros dos outros, como é o caso do Turismo de massas que já poucos procuram, com a descaracterização de umas ilhas com tanto para mostrar, não fosse a parolice de quem decide imitar o que não funcionou noutras instâncias e não ter criatividade, conhecimentos e cultura cívica para ocupar os cargos que ocupam.


Para nós, é tão importante um Estudo de Impacte Ambiental para construir um Hotel (pois para as estradas fizeram-nos o favor de nunca adaptarem a legislação à Região) como deveria ser para a desflorestação desta ilhas.

A autarquia de Angra tem-se manifestado tão incapacitada tecnicamente para planear uma arborização de qualidade que já não percebemos quem tutela esta área. Em princípio deveria ser um técnico com formação Agronómica, porém, os Engenheiros Civis e as Vereadoras sempre se deram ao luxo de opinarem como se tivessem alguma experiência ou formação agronómica! Todos os anos temos várias surpresas desagradáveis: para encerrar o ano de 2007 presentearam-nos com a intenção de cortarem as árvores da Av. Conde Sieuve de Menezes. Ficámos estupefactos quando soubemos o móbil do crime: não há espaço para a passagem de cadeiras de rodas entre as casas e as árvores; alguns muros estão com pequenas frestas e as raízes de algumas árvores levantaram os passeios. Tão pressurosos são estes nossos autarcas! Porquê esta preocupação com as cadeiras de rodas apenas e só naquela Avenida? Quantos moradores andam de cadeiras de rodas?

Temos obrigação de chamar os bois pelos seus nomes e não deixar que nos atirarem areia para os olhos. As verdadeiras razões são estas: Há uma ou outra árvore que necessita ser substituída, o corte das raízes deveria ser feito para evitar rebentar com os muros, os passeios deveriam ser alargados e construídos de raiz assim como a pavimentação da Avenida. Os problemas de estacionamento resolver-se-iam se fechassem a rua ao trânsito, como foi manifestado por alguns moradores, ou, a colocação de parquímetros seria tão simples como o foi noutros locais.

Porém, outros interesses se levantam e há que dizê-lo duma vez por todas: a casa onde funciona a Sede da Liga dos Amigos do Hospital é propriedade da Presidente da dita Liga, que, embora não more naquela Avenida, invoca problemas de saúde e de falta de qualidade de vida, parecendo julgar-se com mais direitos do que todos os outros moradores. Porque será? Não é isto abuso de poder?

E a Câmara de Angra o que faz? Ora solicita parecer ao seu Lenhador (desculpem: ao técnico que deveria zelar pela preservação dos espaços verdes mas cuja falta de sensibilidade é assustadora, contendo no seu currículo uma série de atrocidades desde a sua entrada em funções), ora decide em função da influência de quem a pressiona.

Será que o corpo técnico da autarquia irá enveredar por mais um erro crasso, tão flagrante e tão vergonhoso? Será que a gestão política o vai aceitar?

O Grupo de Urbanismo da Gê-Questa

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4 Comments:

At 29/11/07 15:55, Anonymous Jorge Costa said...

Muito bom. É preciso ter coragem. Parabéns.

 
At 12/12/07 18:24, Blogger Pedro Rui said...

- As sombras da minha infância correm o perigo de desaparecer para o todo e sempre na loucura de um desvairio...

Pedro Botelho

 
At 30/12/07 00:24, Anonymous Anónimo said...

É triste!

Carina

 
At 2/1/08 16:25, Anonymous Couto said...

Eu acho mesmo muito bem que critiquem, pois de facto, na ilha toda assiste-se a um caos nas zonas verdes é de malucos mesmo. Eu vejo serem plantadas árvores escolhidas por catálogo, coisas “lindas” (para alguns) mas que não são de todo para ilhas como as nossas muito menos para cidades pequenas como as nossas. É o caso dos típicos Metrosideros que vemos em tudo o que é rua com árvores de Angra por exemplo. Árvores de crescimento rápido e com raízes muito fortes que fazem o que se vê, mais, passados cinco anos de serem plantadas já estão a causar problemas.
Há de facto um descuido muito grande nos espaços verdes de toda a Ilha mas propositado ou não, não sei bem.
Gostei do vosso artigo só pedia que da próxima vez não misturassem tantas coisas centrem-se na crítica principal, uma de cada vez.
Mas já agora naquele caso EU PENSO que se deveriam substituir todas, mas não todas de uma só vez. Ou seja de forma a causar um menor impacto visual, serem substituídas duas árvores de 6 em 6 meses (nas épocas certas de transplante), por arvores já com algum porte mas que pertencem á flora dos Açores e que tenham crescimento lento que temos não muitas mas algumas espécies. Só que ai é dar o braço a torcer e admitir que, todo o planeamento das nossas zonas verdes e não só da ilha, está mal.

 

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