Corte de Árvores
“O LENHADOR QUER, A DEPUTADA SONHA E A AUTARQUIA APROVA”
“Deus quer, o Homem sonha e a obra nasce”
(Fernando Pessoa)
Todos dizemos que vivemos em Democracia; ninguém quer dizer “somos todos iguais, só que uns mais do que outros”! Todavia, e cada vez mais a realidade mostra-nos o contrário: estamos a viver um período deveras difícil. As injustiças são cada vez maiores, as Instituições funcionam para o Partido e em função das eleições, criticar o Governo é sinónimo de perseguição, os boys e as girls prosperam, saltam de partido em partido quais Libelinhas à procura de alimento, a corrupção aumenta, a prepotência é a arma dos medíocres, as aparências avolumam-se dia a dia e os “sobreviventes” prosperam.
Quem acredita que pode sobreviver sem recorrer às influências dos políticos? Como se pode discordar de um dirigente? Quem manda onde? O emaranhado é tão grande que só há duas soluções: ser conivente ou não ter medo das consequências e denunciar, denunciar, denunciar até à exaustão.
Estamos cansados de treze anos de intervenção e denúncias, porém, não nos vamos calar. Sempre trabalhámos por militância, por princípios e convicções de forma a contribuirmos para um Planeta melhor. Não aceitamos que brinquem com os direitos dos cidadãos, com os princípios da cidadania (que cliché mais em voga!) que os interesses do Partido sejam o motor deste tipo de Progresso, não somos boys nem girls: somos ambientalistas, não fundamentalistas, como é costume catalogarem quem defende causas consideradas menores aos olhos dos “maiores”.
Pode-vos parecer descabido intervir por um facto de pouca relevância mas o certo é que ao longo destes anos muito fizemos pela Democracia Participativa. E com que esforço! Poucos acreditarão quantas horas trabalhamos ao serviço de uma Comunidade pouco grata, pouco instruída, nada sensível a este Desenvolvimento, a esta Globalização.
Adoraríamos não existir, infelizmente, assim não é nem se afigura vir a ser.
Lamentamos profundamente que não se aprenda com os erros dos outros, como é o caso do Turismo de massas que já poucos procuram, com a descaracterização de umas ilhas com tanto para mostrar, não fosse a parolice de quem decide imitar o que não funcionou noutras instâncias e não ter criatividade, conhecimentos e cultura cívica para ocupar os cargos que ocupam.
Para nós, é tão importante um Estudo de Impacte Ambiental para construir um Hotel (pois para as estradas fizeram-nos o favor de nunca adaptarem a legislação à Região) como deveria ser para a desflorestação desta ilhas.
Temos obrigação de chamar os bois pelos seus nomes e não deixar que nos atirarem areia para os olhos. As verdadeiras razões são estas: Há uma ou outra árvore que necessita ser substituída, o corte das raízes deveria ser feito para evitar rebentar com os muros, os passeios deveriam ser alargados e construídos de raiz assim como a pavimentação da Avenida. Os problemas de estacionamento resolver-se-iam se fechassem a rua ao trânsito, como foi manifestado por alguns moradores, ou, a colocação de parquímetros seria tão simples como o foi noutros locais.
Porém, outros interesses se levantam e há que dizê-lo duma vez por todas: a casa onde funciona a Sede da Liga dos Amigos do Hospital é propriedade da Presidente da dita Liga, que, embora não more naquela Avenida, invoca problemas de saúde e de falta de qualidade de vida, parecendo julgar-se com mais direitos do que todos os outros moradores. Porque será? Não é isto abuso de poder?
E a Câmara de Angra o que faz? Ora solicita parecer ao seu Lenhador (desculpem: ao técnico que deveria zelar pela preservação dos espaços verdes mas cuja falta de sensibilidade é assustadora, contendo no seu currículo uma série de atrocidades desde a sua entrada em funções), ora decide em função da influência de quem a pressiona.
Será que o corpo técnico da autarquia irá enveredar por mais um erro crasso, tão flagrante e tão vergonhoso? Será que a gestão política o vai aceitar?
O Grupo de Urbanismo da Gê-Questa
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